Ponte Karla Diesel Freiberger
Quem foi a mulher que dá nome à nova ponte de Feliz
Publicado em 29/05/2025 às 08:19
Por Dep. Comunicação Social
Em forma de reconhecimento por todos os serviços prestados à comunidade de Feliz, e também pela construção da ponte no local onde morava Dona Karla, a administração municipal de Feliz decidiu nomear a nova ponte sobre o Rio Caí como Karla Diesel Freiberger.
Dona “Kala”, como muitos frequentadores do bar da antiga Estação Rodoviária a chamavam, nasceu em 24 de fevereiro de 1925, nesta cidade que, na época, chamava-se Distrito de Feliz e pertencia ao município de São Sebastião do Caí. Era filha de Silvano Diesel e Izabela Kiefer Diesel, sendo batizada na Igreja Luterana de Feliz no dia 5 de abril pelo pastor Friederich Schasse.
Estudou Economia Doméstica na Fundação Evangélica de Hamburgo Velho, que na época pertencia ao município de Novo Hamburgo. Foi interna nessa escola, assim como suas irmãs Harthy, Rita e Zita. Seu irmão Romeu estudou em São Leopoldo no Colégio Gustavo Schreiber.
Todos eles aprenderam a tocar instrumentos musicais quando jovens: Harthy no piano, Rita, Zita e Karla na gaita, e Romeu no violino. Eles viajavam até Porto Alegre para terem aulas.
Karla casou com Zeno Freiberger no dia 30 de abril de 1947, aos 22 anos. O casamento foi realizado na sacristia da Paróquia Santa Catarina pelo cônego Alberto Schwade, pois seu futuro esposo era católico, e ela, luterana. Naquela época, não era permitida a celebração de cerimônias religiosas entre pessoas de religiões diferentes
Tiveram quatro filhos: Elisabela, Jacob Frederico (in memoriam), Marieta e Julio Cesar. Seu legado está ligado ao antigo prédio da Estação Rodoviária - localizado no mesmo ponto onde a nova ponte foi construída. Ali atuava como comerciante, vendendo jornais, folhagens, oferecendo hospedagem e servindo seu famoso pastel.
No porão do prédio, onde funcionava a lavanderia, Dona Karla fervia as roupas, especialmente as roupas de cama brancas utilizadas na hospedagem do sótão, por viajantes e mensalistas. O porão também servia como “ateliê”, onde sua cunhada Vilma Bohn e sua amiga Dona Vitória Gutheil Klagenberg confeccionavam coroas usadas em enterros e para o cemitério.
As folhagens que expunha na antiga Estação Rodoviária eram um dos seus hobbies preferidos, muito admiradas por quem passava pelo local. Muitas dessas plantas e vasos de flores eram cultivados por Dona Carolina Leão e Dona Irene Webster, grandes amigas de Dona Karla.
Outras plantações estavam em uma área nos fundos do atual prédio de Dona Amália Noll. As espadas-de-São-Jorge eram vendidas uma vez por ano para comercialização na Argentina e no Uruguai, durante cerca de cinco a seis anos. O término desse plantio ocorreu após o corte dos pés de araucária que ficavam na divisa dos terrenos de Dona Amália.
No início das primeiras edições da Fenavinho e da Festa da Uva, Dona Karla comercializou muitos vasos ornamentais para os estandes desses eventos. Também teve parceria com os padres do Seminário de Pareci Novo, que cultivavam uma grande variedade de folhagens.
Os jornais que chegavam a Feliz, como o Diário de Notícias e o Correio do Povo, eram retirados no balcão do bar por muitos assinantes. O auge disso ocorreu nos anos 1990, com a popularização da Zero Hora. Dona Karla era quem coordenava toda essa entrega.
O bar da antiga Estação Rodoviária foi o palco de sua trajetória: desde a venda de caixas de foguetes, dos “tracks”, ovos cozidos, pastel e revistas, até a chegada do mês de setembro, quando a máquina de sorvete era abastecida. O auge das vendas de casquinhas de sorvete no bar acontecia após o desfile de 7 de setembro, quando crianças e adultos vindos do interior do município de Feliz se deliciavam com o sabor refrescante. O mesmo ocorria om os bolos confeccionados pela Dona Erica Schmädeker.
A vida social de Dona Karla incluía os bailes da Socef, no antigo salão. Ela também participava do Coro da Igreja Luterana e Coral da Socef, fazia parte da OASE e do Clube de Mães, além de atuar no grupo de danças de senhoras idosas. Semanalmente, reunia-se com amigas para jogar loto e bingo. Seus passatempos favoritos eram fazer crochê e compartilhar uma boa roda de chimarrão.
Dona Karla se aposentou aos 72 anos, assim que o prédio da nova Estação Rodoviária foi concluído e inaugurado, em 19 de janeiro de 1998, junto à RS-452. Ela faleceu no dia 21 de agosto de 2013, aos 88 anos.