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Notícias - Saúde / Publicado em 05/08/2020 às 08:24

Novos equipamentos para um antigo colaborador

A mais de 27 anos que os Bombeiros Voluntários de Feliz atuam junto à comunidade.

Por Matheus Oliveira - Edição: Simone Ludwig

Novos equipamentos para um antigo colaborador
Novos equipamentos para um antigo colaborador

Com 27 anos de existência, a Corporação de Bombeiros Voluntários de Feliz vive dias de expectativa de uma nova e moderna viatura para combate a incêndio ainda neste ano. A aquisição que promete auxiliar na rapidez em resposta as ocorrências no município e região, será adquirida através de uma licitação pública de menor preço.

Atualmente, a Corporação conta com dois caminhões: um doado em 1964 e outro, um exemplar dos anos 80, que é um caminhão-pipa de cinco mil litros. O que realça ainda mais a importância da licitação. ‘Não vou ter palavras para dimensionar a importância, porque ela é gigantesca. A aquisição de uma nova viatura vai ser uma revolução. Um caminhão que na nossa região não tem igual’ afirma o comandante dos Bombeiros e coordenador do Centro Integrado de Urgência, Emergência e Resgate, Claudinei Sturmer.

Está sendo licitado um caminhão novo 0 km, ano e modelo 2020/2021, na cor vermelha, tração 4x2, capacidade mínima de 16.000 kg de Peso Bruto Total (PBT) conforme resolução 210 CONTRAN, cabine curta teto baixo para duas pessoas, metálica, avançada suspensa através de amortecedores e molas em 4 pontos, isolamento térmico/acústico no assoalho da cabine, computador de bordo, ar condicionado, retrovisores e vidros verdes e elétricos, espelho retrovisor convexo auxiliar lado direito, espelho auxiliar, om direção hidráulica regulável com ajuste pneumático de altura e profundidade, coluna de direção ajustável, banco do motorista com suspensão a ar, dentre outras particularidades.

 

Licitação visa modernidade

 

Os equipamentos utilizados pela Corporação de Bombeiros Voluntários são de suma necessidade e a sua falta ou não, pode determinar o sucesso ou falha em uma emergência. E um dos grandes desafios encarados pelas corporações brasileiras é sucateamento destes instrumentos, o que não é diferente na corporação felizense, cuja principal dificuldade enfrentada é a falta de equipamentos adequados para um melhor atendimento à população.

Nesse contexto, Diana Dewes, de 25 anos, secretária da corporação e também bombeira voluntária, faz questão de destacar a importância da licitação da nova viatura. ‘Hoje com certeza o que temos que melhorar no quartel são os equipamentos e aperfeiçoar nossos treinamentos. Desde o ano passado já conseguimos muitos equipamentos e estamos na luta pelo caminhão novo que vai ser de suma importância para nós. Contudo, não é só ele, precisamos de muitos outros equipamentos’, afirma. ‘O veículo que iremos receber será mais equipado, com melhores ferramentas que vão nos auxiliar melhor nas ocorrências, até porque esses novos caminhões têm um manejo mais fácil, do que os antigos que nós temos aqui’, acrescenta.

 

24 Anos de dedicação e histórias

 

O quartel de bombeiros conta com um comandante que acompanha o trabalho da entidade desde que ela começou. Com 40 anos de idade, Claudinei já soma 24 anos de corporação e conta com uma centena de casos para contar. Inclusive, ele relata que sua aptidão pela profissão iniciou ainda na infância. ‘A aspiração vem desde pequeno, porque o fogo sempre foi um atrativo’, revela. ‘Fui um dos primeiros bombeiros da cidade. Todo início de uma história é difícil. Foi bem complicado, em questão de logística e de atendimentos, mas tudo foi necessário para evoluir’, acrescenta Claudinei.

Através dos anos foram muitos os casos em que esteve atuante, porém, alguns ficaram na memória. ‘Um fato que me marcou muito, foi um acidente de trânsito que atendi, onde o pai e mãe estavam no banco da frente e a criança de cinco ou seis anos no banco de trás. Os dois já estavam mortos e a criança atrás em desespero gritando querendo o pai e a mãe’, lembra Claudinei. ‘É algo que marcou muito. É um trabalho que exige um grande controle emocional. O que muitas vezes não é fácil’, admite.

 

Sem estereótipos

 

Tamanha a experiência no auxílio à população que Claudinei se acostumou com a rotina marcada por muito trabalho, mas sem o estigma de heróis e muito menos estrelismo. Segundo Claudinei, os bombeiros são mundialmente conhecidos como bem feitores e comumente associados a atos notáveis, contudo, ele faz questão de orientar os colaboradores para que eles não se deixem levar por modelos irreais da profissão. ‘Trabalho muito com a galera sobre o fato se sermos chamados de heróis. A gente é herói, mas um herói que não usa armadura e temos que saber diferenciar do herói que vive na televisão e em filmes. Somos seres humanos desenvolvendo funções diferentes’, enaltece o comandante.

O fato que a profissão é perigosa e em muitos casos é necessário confiar a vida ao companheiro, desta forma, o trabalho em equipe é sempre um modelo exaltado e incentivado a ser seguido. ‘Nunca vou querer que as pessoas digam que eu sozinho fiz algo, sempre serão os Bombeiros, o SAMU e o Centro Integrado’, afirma Claudinei.

Disposição e vontade

E além dos bombeiros efetivos, que somam 7, o trabalho da Corporação felizense conta com um importante apoio: a dos 25 Bombeiros Voluntários, que são pessoas que recebem treinamento, porém, não exercem a função como profissão.  Para se tornar um Bombeiro Voluntário é preciso ter 18 anos, procurar o Corpo de Bombeiros local, se inscrever, apresentar alguns documentos, mas para Diana Dewes, 25, bombeira que faz dois de anos de voluntariado em dezembro, a principal requisição é ter ânsia em ajudar. ‘Para se voluntariar em primeiro lugar precisa ter vontade e disposição de estar aqui na Corporação, de abrir mão de algumas horas de lazer em função de treinamentos e capacitações’, revela.

A rotina semanal consiste em chegar ao plantão, separar equipamentos de proteção individual, executar checklist e iniciar treinamentos internos. As atividades são feitas semanalmente e abrangem uma grande gama de áreas, indo de atendimento pré-hospitalar e resgate veicular até questões de combate a incêndio propriamente ditas. ‘Os nossos treinamentos internos que fazemos, repetimos várias vezes as mesmas coisas para nos capacitarmos cada vez mais e para durante a ocorrência estarmos todos em sincronia e fazermos o melhor atendimento à população’, aponta Diana.

Apesar da rotina dura e uma mistura de medo e nervosismo em sua primeira emergência, Diana resume a experiência como gratificante e enriquecedora capaz de trabalhar a empatia e trazer o crescimento pessoal a qualquer pessoa, mas como nem tudo são flores a atividade também passa por dificuldades, muitas das quais são referentes a seus equipamentos.

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